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Entendendo Conflitos
Brothers & Sisters

Em 'Brothers & Sisters', Sally Field agrega filhos e ex-amante do marido em novo modelo de família

Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps 

Especial para o BOL

A ideia é simples: uma família de classe média alta e seus conflitos internos. A proximidade humana que possibilita, apesar das diferenças culturais e de meio, já que aborda uma família tipicamente americana, faz com que a identificação com um ou outro personagem sempre aconteça. Resultado: sucesso por muitas temporadas.

Estamos praticamente no final da 4ª temporada dessa série que conta com um elenco de peso, tendo sua trama amarrada pela grande matriarca Nora, representada pela sempre competente Sally Field. Série dramática criada por Jon Robin Baitz (“The West Wing”) e que acaba de ser renovada para sua 5ª temporada.

Como toda família patriarcal, o falecimento de seu pilar central gera uma nova realidade, onde cada um terá que lidar com seus conflitos individuais, em uma dinâmica familiar bem comum nos dias de hoje, recheada de segredos. A família perfeita de álbum de retratos começará, temporada a temporada, capítulo a capítulo, a mostrar para o telespectador a veracidade do verso da canção: “de perto ninguém é normal”; e que toda família guarda seus segredos e não ditos, assim como mostrará, também, que a revelação deles, os segredos, pode e deverá ser transformadora sempre.

O que a família do falecido William Walker (Tom Skerrit) tem de especial? O clima é sempre dramático, mas juntos possuem capacidade de resolver uma nova problemática a cada episódio. Como seria bom se todos tivéssemos a capacidade de resolver todos os problemas com esta frequência. Isto faria, com certeza, nossas vidas menos angustiantes.

Nossos, já “amigos”, Walkers escolhem, sempre, a cada episódio, um caminho que os leva a um estilo de família quase simbiótica. Cada personagem se entrelaça com o outro demonstrando-nos o quanto o modelo familiar está diretamente relacionado com as escolhas supostamente singulares e individuais. A personagem de Sally Field, a encantadora Nora Walkers, sublinha de maneira delicada, e ao mesmo tempo intensa, a função materna como agregadora e condutora da autonomia ou dependência filial, trazendo para a família, inclusive, a ex-amante do marido, Holly Harper (Patrícia Wettig) e sua filha Rebecca (Emily VanCamp) que acabará envolvendo-se com Justin (Dave Annable). Nos dias de hoje, onde os modelos de família se reformulam e se mostram em diferentes facetas (monoparental, matriarcal, etc), Nora arrebata o público com sua capacidade de unificação.

Destaque especial para o casal homoafetivo protagonizado pelo filho Kevin (Mattew Rhyes) e que é abordado com uma delicada naturalidade, sem bandeiras ou discursos, levando ao entendimento do telespectador mais conservador ou preconceituoso que possa acompanhar essa série, cenas belas, sutilmente diretas e envolventes. Afinal, em termos estatísticos, estas são situações mais do que comuns nas famílias dos dias de hoje.

O debate sobre as mais diferentes teses contemporâneas entre democratas e republicanos também é magistralmente conduzido na série, pela filha Kitty (Calista Flockhart), seu marido, o senador republicano Robert McCallister(Rob Lowe) e, no pólo oposto, os diversos integrantes da família Walker, com destaque nesses debates para a outra filha, Sarah (Rachel Griffiths), e para Kevin, que acaba trabalhando para o senador McCallister. Pitada genial para acirrar a convivência democrática. Questões sociais bem americanas, onde a política está muito mais enraizada socialmente do que aqui em nosso país. Entende-se lá, com mais clareza, como atos de lei influenciam o cotidiano de cada um.

Envolvente também o personagem tio Saul (Ron Rifkin), figura pacificadora dentro dessa família e irmão de Nora, que também nos brindará com reflexões acerca da “saída do armário” após toda uma vida de disfarce e ocultamento.

Toda trama acabará por girar em torno da empresa familiar dos Walker, a Ojai, que de certa maneira guarda a ligação de cada um com o pai. É nela que se darão muitas revelações que envolvem a relação de cada um com ele. Ojai será sempre a ponte para os segredos da família e suas sucessivas crises. O nome do pai se faz representar no legado familiar, como uma marca permanente.

Dos mais variados temas que tomam as emoções na atualidade, essa família irá nos apresentar como se estivéssemos conversando sobre em volta da grande bancada da cozinha de Nora, tomando um delicioso café com bolos preparados por uma doce mãe. Ótima sugestão para se assistir ao seriado, junto de SUA família.

Uma série que emociona, arrancando-nos sorrisos e lágrimas, levando a cada capítulo a tomarmos algum tema para uma suave reflexão. Vale a pena dar uma conferida se ainda não fez isso!

http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2010/07/14/em-brothers--sisters-sally-field-agrega-filhos-e-ex-amante-do-marido-em-novo-modelo-de-familia.jhtm