Cinematerapia®
Entendendo Conflitos
Charles Chaplin

 Charles Chaplin – O Grande Ditador em Os Tempos Modernos.

 

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

 


Em tempos de profunda crise mundial do capital esse filme, “Tempos Modernos”, se mostra atualizado, novos modelos econômicos que surgem ainda sob a ótica da “velha” e sempre atual leitura do capital de Karl Marx(e Engels), que mesmo para os capitalistas mais convictos se constitui em uma leitura que explica toda a movimentação do “dinheiro” e suas relações com o simples ato de acordar e ir à padaria comprar o delicioso pãozinho matinal.

Deixamos como sugestão de leitura nosso artigo sobre a atual crise e sua relação com a psicologia publicado na revista Psique – Ciência e Vida, nº 40.(disponibilizado no link).

 

http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/edicoes/40/artigo133543-1.asp?o=r

 

Chaplin nesse filme nos coloca  frente, de maneira ao mesmo tempo brutal e ao mesmo tempo lúdica, com as idiossincrasias do nosso modelo industrial capitalista. Muito aconteceu a esse modelo desde a confecção dessa brilhante argumentação cinematográfica, porém no que diz respeito ao sofrimento humano frente a ele, o filme, pensamos que pouco se modificou, talvez até ele, agora falando desse modelo representado no filme, tenha se tornado ainda mais devorador e o sofrimento venha aumentando em proporção direta ao seu aumento de capacidade de produção. Temos hoje, mais excedente do que nunca e no entanto o homem contemporâneo(não mais moderno) sofre mais do que anteriormente, de exclusão e abandono por essa mesma máquina que se faz representar desde os bancos da escola, fragmentando o conhecimento e treinando homens e mulheres para o modo de produção vigente onde terá contato com uma pequena parte de todo o processo que resultará no produto que ele mesmo ambicionará obter, até como desejo legítimo de apropriação do todo ao qual somou sua pequena parte.

 

Cena memorável do filme e um pensar sobre esse nosso grande Outro:

 

http://www.youtube.com/watch?v=XFXg7nEa7vQ

 

Trabalhamos pelo desejo de nos inserir no mundo onde vivemos, produzir e deixar marcas, aquele que tem orgulho e consegue obter prazer advindo da sua produção é com certeza um homem mais forte, mais feliz e menos adoecido. Mas, sabemos, entretanto, o quanto isso se constitui um privilégio para poucos. Muitos trabalham apenas para obtenção do mínimo que lhes garanta a sobrevivência, retirando do seu trabalho quase nenhum prazer e tendo que deslocar essa necessidade para os mais variados objetivos que aparecerão nos tempos atuais como desejo desenfreado como o de um faminto ou sedento que chega ao oásis de um grande deserto, consome sem gosto, com voracidade aterradora. Chaplin já nos apontava essa possibilidade em seus inúmeros filmes, a desafetação da qual pensamos sofrer o homem moderno.

 

Para pensarmos emocionadamente sobre isso convidamos nosso leitor para outra passagem de outro filme desse genial(e polêmico) cineasta, o magnífico “O Grande Ditador”, veja no link a cena:

 

http://www.youtube.com/watch?v=FPzgq8sNbMI

 

Que essa cena, um primor de exemplo do que nos traz a sétima arte em termos de construção de um ideal de ego que cada vez domine mais nossos impulsos destrutivos que visam submeter e aniquilar o objeto e que possa dar caminho e enlace para que possamos agregar cada vez mais, unidos por ideais fraternos e  aqui fazemos votos para que o campo psi faça parte dessa História.