Cinematerapia®
Entendendo Conflitos
HomeQuem SomosNa InternetFILMESSeriadosLivroConsultórioArtigos
Divinos Segredos
Come Rezar Amar
Tropa de Elite 2
Sem Vestígios
Seraphine
Tudo Pode Dar Certo
Sex and the City
A Origem
A Educação de Charles Banks
Um Olhar do Paraíso
Abraços Partidos
Volver
Preciosa
A Vedade Nua e Crua
28 Dias
Nárnia
Crepúsculo
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
A Outra
A Partida
Encontro Marcado
Ps Eu Te Amo
Geração Prozac
Infância Roubada
HairSpray
Michael Jackson
Gran Torino
A Letra Escarlate
Ensaio sobre a cegueira
Duro Aprendizado
A Vida e Bela
Era do Gelo 3(D)
O Adversário
Homofobia no Cinema
Divinos Segredos
Na Natureza Selvagem
Jean Charles
Mr Brooks
O Leitor
Perverso no Orkut
Charles Chaplin
Amor nos Tempo do Cólera
Os Esquecidos
Sicko
Valente
Milk
A Prova
23
Razão e Sensibilidade
O Nevoeiro
O Exorcismo de Emily Rose

Divinos Segredos (Divine Secrets of the Ya-Ya Sisterhood, 2002)

 

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

 

Esse texto dedicamos aos queridos alunos do curso dado em Manaus em maio 2009

 

Sinopse

 

Vídeo 1  (cena relatada começará no 7:07)

 

Vídeo 2

 

Vídeo 3 (até 2:38)

 

 

 

 

Filme que traz Sandra Bullocck em uma excelente atuação, acompanhada de  um elenco respeitável, nos principais papéis[1]:

 

Sandra Bullock (Siddalee Walker)

Ellen Burstyn (Viviane Abbott "Vivi" Walker)

Maggie Smith (Caro)

Fionnula Flanagan (Teensy)

Shirley Knight (Necie)

Ashley Judd (Viviane Abbott "Vivi" Walker - jovem)

Katy Selverstone (Caro - jovem)

Jacqueline McKenzie (Teensy - jovem)

Kiersten Warren (Necie - jovem)

James Garner (Shep Walker)

 

O filme fala marcadamente da relação conflituada de uma filha, representada por Sandra Bullock(Siddalee Walker) com sua mãe(Viviane Abbott - Ellen Burstyn), e da impossibilidade de se comprometer amorosamente que ela, a filha, se vê às voltas em sua idade adulta. A questão se complica quando Sidda dá uma entrevista onde expõe sua mãe de uma maneira que a deixa magoada e enfurecida, levando ao acirramento das questões que se encontram soterradas nessa relação. Será então que Necie (Shirley Knight), Caro (Maggie Smith) e Teensy (Fionnula Flanagan), as amigas de sua mãe que a acompanham desde a infância, traçarão um plano onde seqüestrarão Sidda e a colocarão frente a frente com as suas questões de infância e a relação com a mãe. Via acesso a recortes em um álbum de retratos e relatos, Sidda começará uma viagem à questões antigas de sua vida, que nos mostrarão o traçado de seus afetos e dificuldades.

 

Pensamos aqui no quanto se torna uma possibilidade da técnica, em algum momento muito importante em psicoterapia(ou psicanálise), quando um paciente(ou analisando) pode levar um álbum, por iniciativa própria ou por pedido do psicoterapeuta, onde veremos seu “romance familiar” apresentado em suas “lembranças encobridoras” ou ainda no resgate de possíveis “construções” realizadas pelo par analítico(ou psicoterapeuta/paciente).

No caso de Sidda, as amigas de sua mãe e mesmo seu pai, farão o importante resgate de lembranças soterradas no sentido de proteger da dor, mas que pelas inúmeras operações desempenhadas pelo seu aparelhamento psíquico a colocarão fora das possíveis representações que encaminhariam sua vida afetiva de maneira mais completa. Sidda vive em um aparente ar de neutralidade, um afeto que se realiza sempre de maneira distanciada. É uma teatróloga de sucesso, onde sua paixão na verdade se realiza, longe do palco da sua própria vida.

 

Desse filme, trabalhamos uma seqüência, mas ao longo dele muitas outras poderão ser as escolhidas para o trabalho, como a cena do lago e tantas outras. Mas escolhemos aqui falar a partir de uma seqüência que começa na forte cena onde essas amigas e o pai de Sidda contarão a ela o dia em que sua mãe sofreu um surto provocado por uma medicação utilizada para combater seu alcoolismo, até  a lembrança da ida ao parque de diversões, infância de Sidda, nessa fase representada por Allison Bertolino e sua relação com sua mãe nessa fase representada por Ashley Judd, até a cena do avião, do vôo de Sidda, importante momento de resgate dessa relação a possibilidade dessa lembrança. Destaque também para a conversa que Sidda tem com seu pai(James Garner - Shep Walker). Essa seqüência é por si só uma vivência terapêutica, saímos dela com um nó na garganta e vontade de rever álbuns, lembranças e relações que estabelecemos ou que perdemos por mágoas e ressentimentos.

 

Mesmos os mais resistentes à psicanálise, sorrirão pra ela ao final  dessa seqüência, afinal mesmo que não seja ainda aceito por esse espectador, essa seqüência apresentada nesse filme, tocará de leve na questão que somos filhos de nossas crianças ou como dito por Freud “a criança é o pai do adulto”, no sentido mesmo do conceito de “posterioridade”, tão caro e fundamental para o método psicanalítico. Podemos pensar que, em qualquer que seja a abordagem psicoterápica, essa questão estará presente, com conceituações diferentes como ambiente, maternagem, mãe suficientemente boa, contingências, gestalt, papéis etc, mas que estará lá. Impossível não nos vermos um pouco ou muito na vivência de Siddalee. Reviramos nossos álbuns em busca dos recortes necessários. Nossas possíveis cartas de alforria.

 

Se falarmos, agora, a partir do lugar de psicoterapeutas(ou psicanalistas) pensaremos na importância do trabalho bem conduzido da escuta das lembranças. Sidda no auge da tensão, da revelação, brinca dizendo que gastou tantos anos e tantos mil dólares para acabar sabendo pelas amigas de sua mãe que ela não era responsável como sempre se sentira: a culpa superegóica de uma menina na fase da dissolução do seu complexo de Édipo. Uma das amigas de sua mãe brinca mandando seu pai preencher o cheque, bela alusão as culpas das imagos paternas, só resolvidas quando representadas em desinvestimentos possíveis. Mas não costumamos resolver nossas questões apenas buscando as memórias encobertas, mas por aquilo que Freud descobrirá ser o caminho da técnica psicanalítica, o trabalho com as camadas de resistência, naquilo que se apresenta ao par analítico pela transferência. Sem uma aproximação sucessiva, apenas o resgate da lembrança não surtirá qualquer modificação nos processos já estabelecidos, nos inúmeros acordos que o ego faz em busca de sua possibilidade de sobrevivência e vínculo com os objetos do mundo externo. Será preciso estabelecer muitas vezes uma nova base de relação, uma confiança possível para que o ego possa recolocar suas formações de compromisso, negociando novos acordos inscritos pela possibilidade de resgate das representações recalcadas ou ainda em casos mais estruturalmente comprometidos, nas construções de representações possíveis, dar nome a algo que viveu nas profundezas do inominável.

 

Esse filme aliado a técnica da cinematerapia poderá ser utilizado em todas as suas vertentes podendo levar a uma possibilidade de insights, cadeias representacionais possíveis de serem trabalhadas em processos psicoterápicos ou ainda como possibilidade de compreensão daquilo que poderíamos chamar de “psicanálise aplicada”, substituindo, por exemplo, a necessidade de apresentação de caso clínico para o entendimento dos conceitos aqui apresentados da construção teórica a partir da psicanálise.

 

Dentro de outras linhas de abordagem acreditamos que também serviria para o entendimento em todas essas possibilidades.

 

Sidda acorda de suas lembranças encontrando o sol, e iluminado por ele, seu noivo que lhe estende a mão, ela se deixa levantar e ser abraçada e abraçar seu noivo, seu amor, sua possibilidade de investir seu afeto. Bela imagem para representar as possibilidades que um filme poderá ajudar a resgatar.

 

Recomendamos o filme e essa seqüência em particular, para mobilizar trabalhos em todas as direções que propomos uma cinematerapia[2].

 

 



[1] fonte site: adorocinema.com

 

[2] Para melhor entendimento ler nosso livro: “Cinematerapia – Entendendo seus conflitos”.

HomeQuem SomosNa InternetFILMESSeriadosLivroConsultórioArtigos