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Law & Order SVU

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

“No sistema judiciário criminal, crimes de caráter sexual são considerados especialmente hediondos. Na cidade de Nova Iorque, os dedicados detetives que investigam esses terríveis delitos são membros de um esquadrão de elite, conhecido como a Unidade de Vítimas Especiais. Estas são suas histórias”.( narração feita por Steven Zirnkilton)


Série de grande sucesso e franquia de Law&Order, criada Dick Wolf,  já no ar por onze temporadas. A cada novo episódio apresenta-nos para debates temas polêmicos, ricamente fundamentados, levando o telespectador a encarar múltiplas abordagens sobre o mesmo assunto.

No comando da equipe está o capitão Donald Cragen (Dann Florek). Conduzindo as investigações em campo o charmoso detetive Elliot Stabler(Christopher Meloni) e a belíssima detetive Olívia Benson(Mariska Hargitay), contamos ainda com os investigadores John Munch (Richard Belzer), Odafin "Fin" Tutuola (Ice-T) que na 8ª temporada passará a ter como parceiro não mais o Munch, mas o detetive Chester Lake(Adam Beach).     Na série apresenta-se sempre a pesquisa, parecer e indicações do competente Dr George Huang(B.D.Wong), psiquiatra forense. Ainda fazendo parte permanente da série a equipe da promotoria, tendo a frente primeiramente a Promotora Alexandra Cabot(Stephanie March), que deixa a série na 5ª temporada e será substituída por Casey Novak(Diane Neal). Temos também o importante desempenho da legista que no momento atual da série é a Dra Melinda Warner(Tamara Tunie).

Seriados são sempre pensados e produzidos para durarem pelo menos quatro anos. Algumas exceções como House, Friends, Seinfield, entre outros, deixam uma marca e história na televisão. Law & Order é um destes e se tornou, ainda no ar, um eternizado clássico dentro desta temática. Fez escola.

Veremos sempre em todos os episódios a presença da audiência pública onde o crime será abordado frente ao tribunal de júri, quase sempre com argumentações de defesa e acusação em relação ao fato que dão subsídios para que pensemos de forma bastante complexa o que foi apresentado. Vemo-nos, inseridos no dia a dia de uma equipe que desvenda aqueles crimes que mais nos chocam, os que envolvem vítimas especiais, incapacitados, crianças, mulheres, deficientes físicos e mentais, maioria deles do que aqui chamamos de crimes hediondos. Temas que muitas vezes passam muito próximo a nós sem que nos demos conta do potencial risco que trazem. Estas questões se mostram então conflitivas humanas, que serão atemporais. Podemos mudar as roupagens, mas alguns conflitos voltam a surgir com outro aspecto.

Exemplificaremos essa nossa argumentação com um episódio reapresentado recentemente, antigo, ainda da 5ª temporada, décimo (S05E10), mas que pensamos que demonstra bem esse perto – longe, do qual falamos aqui.

Conta esse episódio de uma criança encontrada desacordada em um parque, entra em coma profundo e irreversível. Nossa equipe começa a tentar desvendar quem poderia ter cometido a agressão que levou àquele estado ao qual a perita remete a “síndrome da criança sacudida”.  Começará, a suspeita, localizada na probabilidade mais próxima, as últimas pessoas que estiveram com a vítima, a princípio a mãe e a babá.

Em um segundo momento, entra na história, também, um homem, chefe da mãe, que teria estado com a criança. A investigação avança, enquanto o estado da criança piora, trazendo ao debate a controversa questão da eutanásia. Mas, ao final, o que veremos mesmo discutida será a questão do lidar com a criança, dos estados de desespero e impaciência ao qual todos os pais um dia já experimentaram. Aqui o seriado encontra um gancho de identificação que será mantido por todo o episódio. Esse tipo de identificação é que mantém uma audiência sempre variada e constante. Abordando temas diversos há sempre a possibilidade deste laço.

O detetive Elliot Stabler encerra esse episódio com uma confidência que emociona o telespectador. Mesmo anos depois de ter sido veiculado, ainda se faz mais do que atual, pois remete à discussão em torno da já apelidada “Lei anti-palmada” aqui no Brasil.

Pensamos ser esse episódio bastante bem indicado para anteceder a um debate sobre o tema. Levando também em consideração dados estatísticos que apontam para um grande número de famílias onde a mãe desempenha todos os papéis, sendo responsável pela manutenção financeira do grupo familiar, assim como pela sua orientação, formação e educação; as chamadas de mães solteiras ou arrimo.

Outro dado importante para nós ao vermos esse capítulo, seria pensarmos no grande percentual que temos em relação à violência contra a criança, nossos dados não são nada que possa ser desprezado.

Com certeza, sairemos desse episódio de Law&Order SVU, bastante tocados, mexidos, incomodados. Inevitável. Pensamos que essa série propõe-se mesmo a essa finalidade, mexer com crenças, fomentar reflexões sobre assuntos que geram preconceito, além de denunciar e alertar para o encaminhamento de alguns comportamentos criminosos que nos cercam.

Essa disposição para abordar temas polêmicos em profundidade tem se demonstrado como forte orientador na temporada atual, toca em assuntos, comportamentos, disposições sociais sobre as quais, quase sempre, temos que lidar com idéias e orientadores religiosos, legais e morais envolvidos e antagônicos entre si algumas vezes.

A questão da ética na contemporaneidade se mostra com a devida complexidade por sua abordagem. Não poupa argumentações contra ou a favor, de acusação ou defesa, implica intensamente a quase todos os envolvidos no episódio, aposta nessa receita forte, sem meia-medida, o que tem sido um ponto de destaque para essa série. As investigações apresentadas ao telespectador são na verdade um fio condutor de intensas reflexões promovidas por um contundente debate que se dá entre os personagens de cada episódio.

Nesta temporada atual contou com a participação especial da veterana Christine Lahti no papel da promotora substituta Sonya Paxton, além de alguns outros atores conhecidos que foram convidados para participações especiais.

No ar desde 1999 nos USA, mostra um fôlego ainda muito grande, depois de intensas negociações, os contratos de Elliot e Olívia foram renovados para alegria de todos os fãs dessa série, que, ao que parece, cativa um público predominantemente maduro. Se puder e quiser, dê uma espiadinha.
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