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Ps Eu Te Amo1  (Ps, I Love You, 2007)

Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps

Com certeza você vai precisar se hidratar durante o filme. Não esqueça também de uma caixinha básica de lenços de papel, pois você terá pelo menos 1:40h de choro. Esse filme fará sua “faxina” em lágrimas. Caso você seja daqueles(as) que não choram com facilidade, cuidado com o “nó na garganta”, permita-se desatá-lo.
O que é um filme classificado como “Comédia romântica”? É um filme engraçado que tem cenas de amor ou uma historia de amor com cenas engraçadas? São tantos os filmes água-com-açúcar que são classificados como deste gênero que fica difícil definir.



Ps Eu Te amo é um filme diferente. Hilary Swank, vencedora de dois prêmios Oscar2 interpreta Holly Kennedy, uma heroína romântica, mostrando sua versatilidade como atriz consagrada em papéis fortes e sofredores. Acompanhada por Kate Bates (Patrícia) como sua mãe e Gerry Butler, o bruto Rei Leônicas do filme 300, mostrando seu lado cômico e romântico como Gerry Kennedy, marido de Holly.

Kate Bates por sí só já é um bom motivo para você ver um filme. Seu histórico profissional, além de premiado, tem papéis excelentes e ótimos, mas nada ruim. (alguns bizarros)

Nossa heroína, Holly, já começa o filme em um surto de raiva e agressividade, se mostrando bastante incompreendida e confusa, em uma briga, que no senso comum, seria chamada de “sem pé nem cabeça”. Nessa briga vislumbramos um casal repleto de paixão em seu vínculo de afeto.

Você com certeza conhece alguém, ou já teve ou vai ter uma briga dessas. Mas não vamos entrar no mérito da salubridade ou não deste tipo de momento, mas sim em notar como Holly é inconsistente emocionalmente. Uns chamariam de “imatura”, outros de “ intensa”.

Sua inconsistência emocional, eterna queixa de incompreensão, dificuldade de expressar seus sentimentos e sua compulsividade por sapatos poderiam nos trazer indícios de traços de personalidade limítrofe- borderline (leia-se traços).  

Esta questão ficará mais clara ao longo do livro, teoricamente. Mas apenas se atente ao fato de que ela não é vista como “louca”, mas também está sempre em inconstância.
Inferindo sobre nossa heroína, poderíamos levantar a hipótese de que a perda do pai, em idade não bem definida no filme, possa ter sido o “trauma psíquico precoce”, possível desorganizador da sua estrutura de personalidade3. Em determinado momento dessa briga inicial seu marido mais uma vez a assegura de que não fará igual a seu pai, não a abandonará. Essa fala é importante para entender o desenrolar do enredo emocional que se configurará nesse filme, naquilo que aqui abordaremos como elaboração da perda de objeto de investimento. Há em toda perda, mesmo a por morte, um profundo sentimento de abandono.

Isso parece complicado, mas não é. Nem todo mundo que perde o pai sofre assim, mas alguns sofrem demais, e outros de menos. Isso pode ser importante na quantidade de energia psíquica se utilizou naquele momento.

Entretanto, o ponto mais importante no filme está em nossa heroína sim, mas não na sua possível estrutura, ou anestrutura, e sim, em como o luto é elaborado durante o filme. Sim.....Luto! Não estamos aqui divulgando o final do filme, ou algo que uma simples leitura da sinopse não informa: o filme fala sobre o sofrimento de Holly, que perde seu amado marido após 10 minutos de filme. E é aí então que você precisará do seu pacotinho de lenços de papel, conforme indicamos lá no início.

Esqueça que ela é estranha, esqueça que ele vai morrer. Se deixe levar pela linda história de amor, gravada em um dos locais mais belos do mundo onde a natureza e a tecnologia convivem harmoniosamente. Realmente um paraíso. Chore, ria, se emocione mesmo. Fique com raiva. Se não gostar de alguma cena: xingue. Com força e alto, afinal, ninguém tem nada com isso.

Vamos pensar um pouco sobre a família de Holly. Sua mãe fora abandonada pelo marido quando as filhas eram ainda jovens. Mostra-se uma mulher “durona” e chefe de família, mas isso não impede sua filha mais jovem de ir morar no exterior, distante, não só fisicamente, mas também dos conflitos familiares, afinal, libertar-se da autoridade dos pais, nesse caso da mãe, é, além de doloroso, necessário.4

Quantas pessoas assim você conhece a sua volta? Pessoas ditas como “amarguradas” depois que o marido (ou esposa) abandonou ou depois que morreu? Quem você conhece que “morreu” junto com o “objeto que se foi”....

Apesar disso podemos notar uma dependência afetiva mútua entre elas, item básico na vida familiar. Com o “desaparecimento” do pai, Patrícia assumiu o papel masculino da família, em um acordo inconsciente de papéis 5

Isso parece teoria, mas não é. Na nossa realidade brasileira, com índices de pobreza, quantas são as mulheres que assumem o lar e toda a responsabilidade de criação dos filhos? Socialmente, como estamos contribuindo para que as pessoas elaborem, mal, os seus lutos? Qual a nossa parcela em relação a essa reação social?

Esse filme é sobre “Luto e Melancolia”6, ou seja, luto normal, ou um luto patológico (depressão). Vamos ter que pensar uns conceitos importantes.

Quando na Psicanálise falamos de libido, de investimento libidinal, de prazer, de afeto, estamos falando também de “objetos”. São estes que nos trazem satisfação, mesmo sendo representantes de outras coisas ou pessoas. Já desde Freud7 temos a noção de que tudo na vida passa pelo que chamamos vínculo, investimento em objeto.
Nós investimos afetos em “objetos” que podem variar desde roupas, pessoas, sonhos, ideais, crenças, etc. Esses objetos guardam suas características, mas ganham para cada um de nós os contornos daquilo que colocamos neles.

Um de nós adora tudo que é azul, por razões inúmeras, algumas que tem consciência e outras que sequer sonha(ou que somente as acessa em sonho, pelas operações do Inconsciente). Sabemos, por outro lado, de gente que detesta azul, alguns, sequer, o podem olhar sem sentir repulsa, devem ter suas razões pra isso também.

Quando somos atraídos inconscientemente por esses objetos, um pouco de energia libidinal é deslocada para “isso”. Vamos pensar em quantidade mesmo. Mantemos uma “ligação” com aquele objeto. Portanto, ocupamos parte do nosso “estoque” de energia psíquica.

Essa faz mil e um acordos, quase uma operação diplomática do tipo “faixa de Gaza”, para se chegar a um resultado que satisfaça os três senhores do nosso psiquismo (id, superego e realidade8).

Nós sabemos, isso parece meio complicado, mas vai fazer sentido. Não dá pra aprender tudo em poucas páginas. Esse livro não é um “cursinho pré-vestibular” de psicanálise. mas pretende que você, leitor, possa ao longo das páginas entender um pouco do como a psicanálise fala daquilo que você conhece em suas emoções.

Acontece que às vezes, precisamos desfazer algumas dessas conexões, para que possamos nos ligar a novos objetos, conhecer novas coisas, experimentar mais e assim, termos uma vida psíquica mais saudável. É também, uma questão de aprendizado. Outras vezes somos arremessados a essa tarefa, por lutos inevitáveis, que viver nos traz. Esse filme falará basicamente de três lutos. Nossa protagonista, sua mãe e um amigo que encontrará ao longo do seu luto. Três lutos que mostrarão como em toda perda há algo de semelhante.

Quando falamos em promover o “desapego”, como algo saudável é justamente isso. Não precisa “desfazer” essas conexões, mas você não precisa de um objeto real para lembrar daquilo.

Pedimos a um amigo  para abrir a carteira e mostrasse tudo lá dentro. Ele riu e o fez. Achamos uma carteirinha de um seguro de saúde de quando ele fez intercâmbio há alguns anos.

Perguntamos se aquilo ali era necessário, e ele disse que “não”. Escondemos a carteira debaixo do notebook e perguntamos se ele ainda tinha as mesmas sensações e sentimentos quando se liberava daquele “papel”.

Ele disse que sim. Ele percebeu que o objeto real não é necessário para que ele associe diretamente com aquelas memórias. Ainda brincamos com ele que como ele mantinha aquilo ali, ele perdia a oportunidade de colocar “novos cartões de crédito” no lugar ocupado.

Princípio que aprendemos nas aulas básicas de Física: “dois corpos não ocupam um mesmo lugar”, embora em se tratando de psíquico isso nem sempre seja verdade. Manter-se investindo em um objeto somente pelo seu concreto, é impedir que novas conexões e aprendizados aconteçam. (metaforicamente falando).

Manter-se investindo afeto em algo que se foi, é como “rasgar dinheiro” em termos da nossa economia psíquica (há uma questão que é econômica dentro do nosso psiquismo)

Então, o que é o desapego? É você doar aquela calça que comprou há três anos e não usa mais (porque ela te lembra àquela época legal do verão). Desapego é você pegar aquele livro que você comprou de literatura e todo mundo já leu e doar para uma escola. É pegar as roupas daquele parente que morreu, e doar para quem precisa, embora seu parente vá permanecer investido para sempre dentro do seu psiquismo, uma parte desse investimento faz parte do que constrói você. Os objetos reais não precisam existir para que seu psiquismo se lembre desses momentos bons ou “ruins” também.

Em muitos momentos, precisamos quase que como um rito de passagem, jogar fora, dar, queimar, deletar, coisas que nos remetem a uma relação que deixou lembranças amargas. Há cenas em incontáveis filmes onde a personagem faz fogueira com roupas e pertences do objeto de seu investimento (amor/ódio), há um quê de engraçado na angústia que isso revela.

Por isso que falamos que “doar” não é somente “dar roupa velha e furada que você não quer ou que manchou com caneta”, mas sim, dar também “aquele tênis que você ganhou, não gostou, não usou e tem que guardar” – a pessoa que deu pelo menos pode ficar feliz que alguém aproveitou. Isso é promover o desapego e abrir espaço para novos objetos adentrarem seu psiquismo (e sapatos no seu armário).

Por outro lado, temos a situação inversa, onde o objeto real sumiu, mas o psicológico continua atrelado a ele. Chegamos então em nossa heroína novamente: seu objeto real – Garry – se foi mas o psicológico está em elaboração, se desprendendo aos poucos.
Um processo de elaboração da perda de um objeto real (parente que morreu) pode levar até nove meses e atenção que passando disso entramos em zona de risco.9

Sim…até a pessoa perceber que o objeto se foi realmente e a energia pode ser usada para outras coisas e ela pode continuar vivendo. Porém, há casos em que isso não foi bem elaborado, e a pessoa permanece investindo energia no “morto” e esse vem morar dentro daquele que não se desapega.

Como não obtém “resposta” desse objeto, investe mais e mais energia, e entra no que Freud chamou de “Melancolia10” e que hoje conhecemos como depressão, não aquela tristeza natural de quem perdeu um importante objeto de afeto, mas uma tristeza sem fim que carrega uma angústia de abandono, há algo de raiva escondida nesse sentimento imenso que paralisa a pessoa e a deixa presa a um objeto que não está mais presente. Abandono imperdoável há em cada luto.

Isso fica tão nítido não somente na análise, mas no dia a dia de quem convive com estas pessoas. O sofrimento não é individual, é da família também, é dos colegas de trabalho que não sabem lidar, é da pessoa atendida no supermercado, que não quer ser mal atendida. Os impactos desses quadros não escolhem classe social, questão racial ou sexual. Estamos todos vulneráveis a ela.

O abandono do luto que leva a essa depressão não se dá somente com a morte, porque o que importa é a morte do objeto para a pessoa que investe, então muitas vezes se dá pela separação em relação ao afeto (parceiros, amigos, parentes, colegas de trabalho etc).

O trabalho na clínica, portanto, é fazer esse caminho inverso, com a ajuda dos psicólogos, psiquiatras e medicamentos.

Ele (objeto) se foi, e será preciso aprender a manter pequenas conexões e se ater às memórias boas e que é um processo que todos um dia passam: o luto. Não é menosprezar o objeto, mas sim, “seguir em frente”, alguns acreditam que esse desapego passa por um sentimento de perdão, não no sentido religioso, e a pessoa pode continuar achando o fim da picada o que viveu (ou inaceitável a perda), mas pode desinvestir tudo aquilo, retirar o que foi aprendizagem e descarregar o objeto de qualquer energia(afeto) que queira atualizá-lo, abrir espaço como quem limpa um armário.

Cada luto é específico e tem suas saídas e não poderemos generalizar seus caminhos, mas saudavelmente, em algum momento, essas operações serão necessárias.
Quantos casos na mídia você conhece de pessoas que conseguiram passar por uma perda, seja fazendo campanhas, mudando leis, criando ONGs. Quantos exemplos de luto bem elaborado você quer mais? É possível sim uma outra saída, e basta “querer”.

Se você pode ajudar alguém a ver isso, que o faça!

A questão dos “objetos” é tão importante na Psicanálise, com o que chamamos de “relação objetal”. Existem maneiras que seguem um “padrão” em como lidamos com alguns objetos. Aprender essa maneira peculiar é entender quando poderá ter problemas e sofrimentos. E, quando se colocar em situação semelhante, será como contar com um sinal vermelho em uma porta que leva ao risco da repetição, ao tentar entrar avisará que temos duas escolhas a fazer: tomar o caminho que já conhecemos ou procurar outra porta, outra forma de investir.

É aprender a maneira como seu psiquismo se relaciona com os objetos. E assim, evitar sofrimento psíquico. Tarefa nada fácil, que vamos aprendendo quando ultrapassamos nossas sucessivas dores inevitáveis, desmames metafóricos que “sofreremos” ao longo da vida.

Portanto, esta aí uma coisa saudável (desde que não excessiva). De tempos em tempos, faça uma faxina do armário, doe uns livros, conheça pessoas novas, diga oi para pessoas que não dizia antes, segure a porta para seu vizinho. Promova ações onde se desapegue de objetos sem mais valor, e abra espaços para novos objetos na sua vida. Também reveja relações, retome contatos, isso pode falar de desapego também, ultrapassar velhas mágoas e ressentimentos. Por incrível que isso possa nos parecer, somos intensamente apegados aos nossos ressentimentos. Pense um pouco sobre isso! É mais saudável sempre seguir adiante.

Temos que manter essa nossa energia psíquica circulando o tempo todo. Tudo que fica parado demais, não dá muito certo, até água parada, apodrece.
Por isso desapegue! Largue a bagagem extra que o caminho ficará mais leve. Se for muito pesada a carga, peça ajuda.  Vejamos um exemplo.

Holly – sim, esse capítulo era sobre um filme -  está em processo de elaboração de luto, que, obviamente, é um processo doloroso e dispendioso de energia psíquica. Porém, este, pode, em vários casos, se tornar um quadro melancólico, conforme disse Freud, no século passado.

Gerry morreu, porem, sua imagem continua presente (isso é muito mais comum do que pensamos). Seu cheiro, suas roupas, seus objetos...tudo no seu dia-a-dia a faz lembrar constantemente que seu amado esposo um dia ali estivera.  O filme dá um toque de risos de angústia com nossa protagonista carregando a urna com as cinzas de seu marido morto para onde vai, como se ali, em um objeto concreto, mostrasse sua dificuldade em realizar a tarefa de se desvincular do objeto amado(e odiado).

Quem nunca passou por um luto? Quem nunca guardou uma foto com carinho, um presente, uma peça de roupa? Nós precisamos de objetos sim, mas não podemos viver em função deles, uma vez perdidos.  Viver em função de um objeto que se foi, investindo ainda nele, é trazer ele “para você” e entrar em um quadro de Transtorno de Humor. Alguém quer isso?

Holly faz diversos testes da realidade para se certificar que seu objeto amado não está mais presente11. É claro que seria fácil “entender” (conscientemente) que seu objeto amado não estava mais “presente”(vivo), porém, o difícil se torna “retirar toda a libido das ligações com aquele objeto”12, para que este processo se finalize e sua libido possa ser investida em novos objetos. Por isso não adianta que você fale e repita para aquela pessoa amiga, de que a pessoa morreu e ela precisa “seguir em frente”, pois ela ainda está atrelada a aquele objeto.

É claro que, como amigos, temos que fazer isso e ajudar ao máximo aqueles que passam por processo de luto. Nós precisamos disso, e eles também. Porém, em algumas horas, é mais importante perceber que nossa ajuda não está sendo “suficiente”, e que um Psicólogo e um Psiquiatra precisam entrar em “campo”, para ajudar esta pessoa.

Ela (Holly) passa por diversos momentos no processo de elaboração de luto e é possível identificar cada um deles durante o filme. Depois de alguns dias, presa em seu próprio sofrimento e apartamento, Holly é resgatada por sua mãe e amigos. O Objeto está tão fundido com sí mesma que a perda dele implica na perda da vontade de viver, e de se cuidar. Você o traz pra “dentro” de você, e a angústia, mistura de raiva e ódio que sente, volta-se para você. É por isso que deixamos de tomar banho, pentear os cabelos, se arrumar, cuidar dos filhos, e outros que podem ser sintomas de depressão. Um fator importante também será o sono que se está nesse processo de adoecimento se apresentará modificado tanto em insônia(ausência) como em hipersonia (excesso).

Nessas horas os familiares precisam ficar atentos a estes sinais. Muitas vezes precisamos acionar ajuda. A prova disso está nas cenas nas quais mostrou que não pretendia sair de casa e muito menos ter os cuidados básicos de higiene. Além dessas presenças físicas constantes, temos no filme a presença das cartas que Gerry deixou para ela, talvez já imaginando, por conhecer a esposa, do trabalho difícil que seria superar a morte dele. Só que na vida real não é assim, nós temos que ter consciência de que cartas não virão. Aceitar a realidade como ela se apresenta, é o primeiro passo. Talvez essas cartas sejam vivenciadas no luto pela tentativa desesperada que se empreende no sentido de continuar utilizando o objeto como referência, fazendo coisas que remetem a esse objeto de alguma maneira. Mantendo uma “conversa” íntima com esse objeto abandonador. É como mandar scraps para um perfil de alguém que já morreu, no Orkut13.

As cartas (infelizmente, somente para Holly) começam a chegar logo no seu aniversário de 30 anos, uma idade bastante conflituosa para algumas mulheres14. Holly está nitidamente entrando em um quadro de melancolia, lutando sozinha contra seus próprios fantasmas. Porém, estes envelopes começam a comandar sua vida, sempre na espera de um outro sinal de seu amado esposo e assim, começam a incomodar sua mãe,

Patrícia está alerta para o fato de sua filha estar negando15 a morte do marido, como se ele ainda estivesse vivo e se comunicando com ela. Talvez Patrícia não soubesse que são essas cartas que salvariam sua filha de entrar em um processo de luto patológico ou melancolia. É através das cartas que Holly consegue fortalecer seu então fragilizado Ego para continuar sua vida. A ligação com o objeto não pode ser amputada de uma só vez, é uma tarefa que o psiquismo não suporta, porque o objeto de investimento tem um papel organizador frente as pulsões(nossas energias psíquicas).
Existem diversas maneiras de se fortalecer esse Ego. Algumas, sozinho, outras com psicoterapia. O importante é saber que precisa fazer algo, para sair desses quadros ou não entrar neles. É, como sempre, aprender. A vida é um eterno aprendizado.

E é neste cenário que nossa heroína passa por um processo de auto-conhecimento, descobrindo em si mesma pontos fortes e pontos passíveis de fortalecimento que antes desconhecia. Estes estavam encobertos pela dependência afetiva que mantinha em seu relacionamento, com fortes características edípicas16, que tinha com Gerry. O objeto amado se fora “novamente”, porem, desta vez, diferente de seu pai, fora bem elaborado, possibilitando assim, o fechamento de um luto real e um luto “fantasioso” (pai).

Tarefa que ela só completará depois de uma emocionante conversa com sua mãe, como se ali ela, sua mãe, a autorizasse a seguir adiante. Até porque, como ficamos sabendo nessa cena, era ela que enviava as cartas para sua filha a pedido de seu marido, que a incumbira dessa tarefa antes de ir-se. Que bela mensagem entrelaçada, temos aí. E como é bonito ver a partir disso, mãe e filha, se libertarem dos seus compromissos com a dor e o luto e se permitirem seguir adiante. Belo desfecho para um ainda mais belo filme.

O que seria isso? Caso Holly fosse nossa paciente, iríamos investigar como foi o “sumiço” do Pai quando criança. Como elaborou os sentimentos daquela época? Existe alguma relação com esse luto de agora? É por isso que em Psicoterapia, perguntamos muito  sobre o seu passado, a sua infância, seus sentimentos. Não estamos “batendo papo”, estamos investigando.
E agora, você tem algumas perguntas a responder (capítulo 2). Pense e reflita.
*Conhece alguma Holly?
*Conhece alguma Patrícia?
*Não foi bom elaborar um luto?
*Você não cresceu desde então?

Sugestão de Atividades:
- Procure identificar com grupos os filmes recentes que trabalham com o tema. Existem exemplos clássicos de histórias com finais felizes e finais tristes. Tente identificar os casos em que o luto pode ter sido mal elaborado. Instigue a imaginação. Isso é um exercício.
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