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Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility)



Por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps


Assisti recentemente ao filme “O Clube do Livro de Jane Austin (The Jane Austen Book Club) e fiquei impressionado com as informações dos personagens dos Romances desta autora. Não têm como não se interessar pela saga de cada personagem mencionado e deixar se envolver pela influencia que exercem na vida daquelas pessoas.

 

Jane Austin viveu há alguns séculos, mas seus livros a tornaram imortal. É lida mundialmente e ganhou seu espaço nos romances mais lidos do mundo. Influenciado pelo Clube do Livro, resolvi re-ler alguns romances, ler outros, e principalmente, rever as adaptações para o cinema. O primeiro escolhido foi “Razão e Sensibilidade” (Sense and Sensibility). A saga da família Dashwood se consagrou nos cinemas em 1995, apresentando futuros astros, como Kate Winslet, e consagrando mais ainda alguns outros, como Emma Thompson e  Hugh Grant.

 

O mais interessante, para mim, é poder rever algo 13 anos depois, mas desta vez, com uma “escuta clínica”, que perpassa por minha atuação profissional. É interessante perceber toda a rede de amor e intrigas,  partir de um outro referencial.

 

O que mais me chamou a atenção foi a capacidade que Austin teve de compor a psicodinâmica de suas personagens, retratando com uma brutal veracidade, o universo psicológico, principalmente das personagens femininas. Não sou adepto a qualquer machismo ou feminismo, mas quanto mais me aproximo de Austin, mas acredito que apenas uma mulher é capaz de descrever a complexidade e magnitude do universo feminino. Talvez isso tivesse auxiliado, e muito, a Freud.

 

O cotidiano de Jane foi a Inglaterra do final dos 1700 e inicio dos 1800, mas me surpreende a atualidade de alguns conflitos mostrados. O que chama a atenção é a pacata vida, tão bucólica que beira a perfeição, mas mesmo assim, não há “felicidade” absoluta.

 

Questiono-me se seria mais fácil resolver conflitos naquela época do que na nossa. Hoje, além dos conflitos internos e o sofrimento psíquico que nos causam, temos que lidar com problemas “externos”, agravantes da situação, como violência, miséria, trânsito, etc.

 

As formas como as relações eram baseadas em valores distintos, trás inquietude, ao se ver o filme. A impressão é que havia uma “atividade superegóica” mais intensa, o que gerava uma necessidade maior de dispêndio de “energia psíquica”[caso quantificável] para o dia-a-dia. Falar exigia um maior “pensar”.Sentimentos eram mais escondidos. Andar, vestir, comer, demonstrar.....tudo parece ser mais “complexo” e dispendioso.

 

Porém, sobrava mais tempo para atividades intelectuais, como literatura e música.

Do outro lado, o ciúmes, inveja, corrupção, maldade...eram mais expressos abertamente, e não com a “velação” que se tem hoje, os tornando, talvez, mais prejudiciais. As cenas em que os personagens masculinos participam, agredindo verbalmente uns aos outros, demonstra isso.

 

De um jeito ou de outro, comparando aquela “sociedade” e a “nossa”, podemos nos questionar onde teria sido melhor viver, ou trabalhar [:]. O que me deixa a pergunta:

O que aconteceu com nossa “sociedade”, que deixamos chegar ao ponto em que estamos? Quando deixamos de ter “sensibilidade”, e consequentemente poesia e amor, e passamos a usar e sermos somente “razão”?

 

 

Quando perdemos nossa sensibilidade?

Quando deixamos de ser humanos?

 

Fica a reflexão....
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